Por Beatriz Santos Soares*
O que é a família? Qual o papel de cada um dentro dela? Como se dá a transmissão de conhecimento de uma geração para outra? Entender a dinâmica familiar possibilita um melhor relacionamento entre seus membros.
No mundo ocidental, o grupo familiar é o grupo social de referência dos indivíduos. Podemos pensar a família como um grupo de pessoas de diferentes idades e gêneros, que, unidas por laços de consangüinidade, afetivos, de casamento ou por adoção, vivem juntas para se desenvolver, se manter e se proteger, como forma de sobrevivência.
A família constitui, portanto, um sistema, ou um conjunto de partes, onde cada membro afeta o outro e é afetado por ele. É na família que se estrutura a base emocional e afetiva das pessoas e é lá que a pessoa cresce e se faz indivíduo.
Refletir sobre relações familiares, transmissão de valores, cultura familiar, educação ou desenvolvimento humano é voltar nossos olhos para a forma como fomos ensinados e entender como aprendemos a nos constituir como cidadãos.
O papel de cada um
Quando nos apropriamos da nossa história pessoal, admitimo-nos como o principal personagem da nossa história individual e incorporamos nossa responsabilidade como parte formadora da sociedade em que vivemos. G. Bateson, especialista em dinâmicas relacionais, diz que todo aprendizado é auto-referencial. Assim, para o aprendizado do novo, o avanço do nosso conhecimento deve ser conquistado através da reflexão sobre as matrizes que nos foram passadas na nossa educação primária e sobre aqueles valores que estamos transmitindo aos nossos filhos.
Pois bem… Assim considerando, necessitamos pensar também as relações que se formam entre os membros dos grupos familiares e a sociedade, com olhos voltados para o exercício dos papéis sociais que os cidadãos exercem dentro das famílias. Papéis como o de pai, mãe, filho, avô ou tio, e suas interações com a comunidade.
Convivência entre gerações
A história fez cultura, portanto as famílias têm muito a aprender nas trocas com seus familiares de origem, considerando saberes que estão pautados dentro de um contexto histórico e cultural, os quais sofreram transformações de geração em geração. Em cada família, encontramos valores arraigados, estabelecimento de hábitos e condutas, mitos, ritos, lealdades e segredos.
Cada época histórica, e etapa do desenvolvimento, têm suas características e especificidades e foi vivida nas famílias pelos seus vários membros, em diferentes gerações, de formas diversas, trazendo um conhecimento em si a ser conhecido, para o bem – a confirmação – ou para o mal – chamando a mudança.
A reflexão destas vivências e a troca de experiências entre os familiares criam intimidade no grupo, abrem a rede de conversas e ajudam na compreensão das regras “impostas” ou “propostas” como educação na família. Falar de educação de filhos, nos dias atuais, tornou-se um desafio para os pais, pois eles encontram muita dificuldade em estabelecer limites na família e praticar uma educação saudável, sem conflitos nem agressões, tendo uma postura mais confiante nessas relações.
Comunicação é a chave do bom relacionamento
Nesses novos tempos, onde se vêem tantos desencontros entre crianças, jovens e adultos, e até abandono de idosos, poderíamos pensar que um dos motivos deste descompasso está na falta de comunicação entre os membros da família, e ainda deles com toda a sua comunidade.
É de grande importância que a sociedade, tanto o poder público como o privado – as escolas, postos de saúde, centros comunitários, igrejas ou outros – encontrem uma forma de oferecer apoio às famílias de maneira integral, visando ao atendimento de suas necessidades psicossociais, educacionais, de lazer e culturais, no âmbito de sua formação, orientação, capacitação e expressão de valores materiais e espirituais.
O grande objetivo é contribuir com a qualidade de vida das pessoas que vivem nos centros urbanos, cujos espaços nem sempre oferecem alternativas construtivas para a convivência entre os membros das famílias, e entre eles e sua comunidade.
* Beatriz Santos Soares é Terapeuta Familiar, Mestre em Psicologia Social e Sócia fundadora do Familiarte
